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lighthouse

Uma semana recheada de noticias

10.01.20 | João Massena

O mundo é um sitio cada vez menos sossegado e aprazivel de se viver e por regra, culpa do Homem.

A vida tornou-se num multijogo de multiplayers em que quer se queira ou não, a nossa Acção ou falta dela, tem influência neste jogo ou nestes jogos globais. Negligenciar tabuleiros não diminui a culpa ou a responsabilidade.

Filosofias à parte, vou passar uma semana cheia em revista a começar e a passar levemente pelas notícias de Isabel dos Santos. Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos ou melhor, filha de José Eduardo Van Dunem, é neta de um pedreiro e por isso é estranho que a família Van Dunem tenha chegado ao poleiro dos mais poderosos de Africa alargando o seu poder para fora do continente. Nada é eterno e José Eduardo dos Santos deixou o poder.

 

Obviamente que mudando o poder tem de criar uma rotura com o passado e Isabel dos Santos é a representante máxima desse passado. Todos já sabiam que a família Van Dunem tinha o seu poder sustentado numa riqueza ilícita sobretudo para com os angolanos e agora que se vê sem amparo, tem de fugir para a Rússia, país que tem servido de abrigo a todos os que fogem, com mais ou menos razão, ao ocidente. Isabel dos Santos parece que já não está exatamente preocupada com as declarações de Ana Gomes já que as autoridades procuram agora, de iniciativa própria os buracos da dita família. Ela que desde já promete que irá arrastar muita gente na queda, em Angola e muito provavelmente em Portugal.

Quem não está muito contente com a situação são os trabalhadores da EFACEC que começam a ter algumas incertezas perante o futuro.

 

Pelo Brasil a justiça tenta suspender o especial de natal da Porta dos Fundos “A primeira tentação de Cristo”, da NetFlix. Já aqui tinha falado sobre o tema a propósito de uma petição contra o tal especial de natal, só que não se espera que um país que se supõe democrático veja os seus órgãos de poder a censurar programas de comédia com a desculpa de servir para “acalmar os ânimos”, isto depois de um atentado à sede do grupo. São sinais perigosos que a da liberdade e democracia, pouco sobra neste país lusófono. Como gosto do trabalho da Porta dos Fundos, por isso sugeriria que se mudassem para Portugal para continuarem o seu trabalho, até ver, em segurança.

 

Pelo caminho da semana, mais um avião civil, no Irão, que cai e morreram todos os ocupantes. “cai” será força de expressão porque tenho francas dúvidas que tenha caído. Para quem conhece um pouco de aviação, sabe que, precisamente porque um avião não dá para encostar na berma, tudo é redundante para que falhando uma peça, outra assuma o mesmo papel. Se visitarmos o site flightradar.com, podemos seguir a aviação civil em tempo real e consultando qualquer avião, podemos não só seguir o seu percurso como a velocidade de voo e altitude.

Ora neste voo, de uma companhia ucraniana, os dados param de um momento para o outro, ou seja, a redundância foi severamente comprometida. Este facto imparcial adicionado aos vídeos que surgem nas notícias, levam-me a crer que o avião foi abatido. Só não entendo o motivo já que não acredito que o Irão queira fazer da Ucrânia ou dos canadenses um inimigo e confundir, às portas do aeroporto internacional de Teerão, a 700m de altitude, um avião civil com um qualquer inimigo… quase me apetece fazer uma teoria da conspiração ao estilo de Michael Moore e meter agentes da CIA a disparar misseis a mando do Trump…

 

Finalizo a semana com as notícias sobre a morte de Luís Giovani. Tanto há a dizer sobre esta notícia que originalmente não teria muito para dizer. Um bando de selvagens, provavelmente embriagados, decidiu andar à pancada sem nenhum motivo especial. Segundo um amigo de Luís Giovani, também vítima das agressões, a história começa num encontrão e aí está o mote para aquecer a noite.

A primeira coisa errada da história é que esta história não é nova nem sequer é esporádica. Há malta que acha que é giro andar à tareia, as autoridades sabem e não fazem nada. Talvez se esta violência não fosse banalizada, esta malta não acabasse as noites assim, desta feita com uma vítima mortal.

Depois há todo um aproveitamento mediático da matéria, sobretudo dos agentes políticos, sejam os que fazem parte dos partidos, sejam os que fazem parte da caderneta de cromos que aparece todos os dias na televisão.

Eu não encontrei uma linha sequer, nas declarações dos amigos, nas declarações do dono do bar, da PJ que colocasse a situação como ato de racismo. Mas apareceu logo uma horda de gente a aclamar racismo. Parecem um pouco como os jogadores de futebol que comentem a falta, sabem-no, mas metem logo a mão no ar como quem diz “eu não fiz nada…” a que se segue aquela cara de indignação ao verem a cartolina na mão do árbitro.

E depois aquela suposta advogada a chamar de “gentalha” a quem não lhe agrada… depois de ter visto um comentador a chamar a minorias de “lixo eleitoral”, tenho a certeza que André Ventura só prima por ser mais transparente nas suas palavras.

 

É um crime? É.

Os culpados têm de ser condenados? Obviamente que sim.

O motivo foi por racismo? Não me parece, mas não sei. Espero que a autoridade competente chegue a conclusões em vez de me juntar às ovelhas com a mania que são juízes em praça publica.