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UE Duplica Erasmus E Só Peca Por Defeito

20.06.18 | João Massena

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Estava aqui a ouvir o podcast do Daniel Oliveira e há uma determinada altura em que ele diz que há uma distinção na palavra dita em âmbito publico e privado. Devo dizer que concordo, salvaguardando que EU não mudo a minha orientação ideológica em privado nem me meto mais a favor da corrente em publico. Posso é dizer alarvidades sem me preocupar com ouvintes mal-intencionados. E quão bom é entrar no ridículo sem medo nem culpa…

 

Bom, mas esta pequena introdução serve para falar um pouco da conversa de Daniel Oliveira e Ricardo Araújo Pereira.

Esta conversa resume-se à condição de que hoje não se pode dizer nada sob pena de se ofender alguém. Hoje, a maioria já nem sabe porque defende as causas, apenas as defende e ataca quem está do lado contrário.

- “porque é que és contra o racismo”

– “Como tens coragem SEQUER de fazer essa questão? É errado e pronto…”

 

Quantas vezes eu pergunto “porque acreditas em Deus?” e nunca fui tão agredido verbalmente como à pergunta “porque és contra o racismo?”.

E eu sou ateu e contra o racismo… olha se não fosse. Era cruxificado e talvez venha a ser só por questionar. Já vi o fim da minha liberdade mais longe.

O que é interessante é que estas lutas que perdem a razão na sua radicalidade, são aceites porque fazem parte de um censo que se fez comum, mas que genericamente eu acredito e defendo porque por norma apelam à liberdade individual e à democracia.

Defender a democracia é para mim um risco duplo. O primeiro é o risco de o poder ser tomado por uns tipos de extrema-direita e eu ou fujo ou matam-me. Corro o risco destes mesmos tios de extrema-direita passarem a ser a maioria, serem eleitos democraticamente e democraticamente sanearem-me. Ainda assim, acredito que a força da razão prevalece e a humanidade avança.

 

E nesta coisa lembrei-me de ter lido uma notícia sobre o programa Erasmus. A duplicação de verbas para o dito.

Devo dizer que a duplicação é pouco. Devia ser um requisito obrigatório para a entrada na idade adulta, um ano a circular nos países da União Europeia e no mínimo seis meses em países fora da europa, pelo menos um mês em cada continente.

Forçar a conviver com a diferença, a perder o medo dos outros, poderia ou poderá ser a forma de acabar com a discriminação social.

Os idiotas que mandam só estão no poder porque o povo se deixa convencer pelos seus argumentos. A larga maioria das pessoas só quer ter o seu trabalho, criar as suas famílias, ter paz e tranquilidade. Obviamente que os idiotas que estão no poder nunca aceitarão uma medida que promova a paz mundial. Como alimentar negócios, competições, guerras, corridas ao armamento…

Se a malta percebe que o sujeito da Síria tem as mesmas preocupações de base que um europeu, como alimentar o medo pela diferença?

 São naturalmente diferentes como um português de um espanhol e muito mais de um finlandês, e ainda assim conseguimos conviver. Ah certo, não há por cá muitos finlandeses nem portugueses por lá.

Bom, mas temos por cá brasileiros, angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos, ucranianos, romenos, chineses, do reino unido, guineenses, franceses, espanhóis…

A verdade é que mesmo sendo um país que muitos consideram de racistas, não temos visto grandes problemas sociais.

Nem tem de haver. Apesar de Portugal estar na origem da globalização com, contextualizando, tudo o que isso tem de bom e de mau, designadamente o comercio e uso de escravos, não esquecendo a história, até porque é com ela que aprendemos a evitar erros cometidos no passado, não temos de sofrer o castigo pelo que os ancestrais fizeram. Bem sei que o CDS anda a pedir para que o Estado financie os ex-colonizadores, bem sei que determinada esquerda quer o processo inverso e quer ir fustigar-se para um canto porque um ancestral qualquer foi racista e agora temos de pagar por isso. Uns e outos usam de uma desonestidade verbal que até arrepia.

 

Em suma, espero que o programa se alastre a todos os cidadãos, que a liberdade se cumpra, que a diferença não cause receios, que o debate seja feito com argumentos e finalizado se for caso disso, numa urna com uma eleição democrática.

Um Homem é um Homem, não importa a quantidade de melanina, no que tem fé, o que come ou as suas orientações.

 

* imagem de http://philadelphiapsychology.org