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Telemóveis nas escolas, sim ou não?

12.06.18 | João Massena

Quando tinha 8 anos o píncaro da felicidade era ter uma maquineta Space Revenger.

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Na praça não havia este modelo e a minha mãe comprou-me outra. Aos oito anos, comprar outra coisa que não a que se pretende é instigar a fúria e a frustração, talvez até a vergonha. Há alturas na vida, daquelas curtas vidas, que mais vale não ter nada do que ter um similar.

 

Estas maquinetas tiveram o seu período de vida tão limitado como os spiners. É um jogo que não muda de forma, não muda de jogo. Naquele tempo um jogo era apenas isso e não comprometia nenhum outro jogo, nenhum outro divertimento.

 

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Hoje a questão prende-se com o uso ou não de telemóveis por parte das crianças em ambiente escolar.

O mundo hoje está dentro de um telemóvel. Podemos saber o que se passa ao segundo em qualquer parte do mundo, jogar jogos mais sofisticados do que eu jogava na adolescência com um Commadore Amiga 600, para não falar no Sinclair Spectrum 128 +2, podemos ver televisão, televisão on-demand, televisão do futuro no youtube ou no twitch, com a vantagem de caber no bolso e poder ser constantemente actualizado.

 

Tentemos regressar um pouco à mente da criança que há em nós, aquela que buscava sempre o último divertimento de preferência em competição. Aquele mesmo que adorava bater records de Space Revenger.

Basicamente estamos a oferecer às crianças o seu matrix. Não precisam de se mover para consumirem o tempo dos intervalos. Na ponta dos dedos está o entretenimento suficiente para ocuparem 24 horas por dia, quanto mais os 10 minutos que separam uma aula da outra. Para não falar da probabilidade de bullying em tempo real e como sabemos, o que cai na internet, fica para sempre na internet. É um gingarelho que lhes tolhe os movimentos, as brincadeiras, a criatividade e ainda lhes abre espaço para o disparate precoce.

Obviamente que eu não concordo com telemóveis no primeiro ciclo. Não existe nenhum benefício uma criança no primeiro ciclo ser portadora de um telemóvel.

 Na verdade, não vejo um benefício real no 2º ciclo. Uma criança que se espera confinada no espaço escolar, não precisa de um telemóvel já que se existir alguma causa de preocupação, a escola entrará em contacto com os cuidadores.

Não estou com isto a dizer que as crianças não devem ter acesso de todo aos equipamentos. Digo que nas escolas, nestas idades, crianças não devem ter acesso a este tipo de equipamento e em todo o percurso escolar do ensino básico, não devem dar-lhes uso dentro das aulas.

No ensino superior, falamos de adultos e francamente, desde que não perturbem as aulas ou usem esses equipamentos para cabular, um adulto é responsável pelas suas acções e se este não tem capacidade para se focar, é este quem perde.

 

 

Regulamentar passa muito pela adequação da coisa regulamentada a determinadas condições e condicionantes.

A maioria é concordante com a regulamentação sobre o uso e porte de arma por oposição à liberdade do uso desta nos EUA. Ainda assim, existem quem possa ter porte de arma desde que cumpra certas condições.

Não defendo a proibição do telemóvel, mas a sua regulamentação para que o uso em liberdade seja feito por quem já tem consciência de si, do espaço que ocupa, de saber estar e em que medida se pode prejudicar a si e a terceiros.

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