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STCP empurra culpa para Empresa 2045

03.07.18 | João Massena

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No outro dia li a notícia que uma jovem colombiana, na noite de S. João do Porto, foi agredida fisicamente por um segurança ao serviço da STCP sendo o alegado mote para a violência o racismo do tal segurança.

Meto aqui um “alegadamente” porque só conheço a história de uma das partes e uma imagem do final dos acontecimentos. Não discordo da veracidade, mas não me comprometo com ela até que sejam apurados factos pelas autoridades competentes. Bom, mas na altura não falei nada sobre o assunto porque, como disse não conheço senão uma das versões e o caso está entregue às autoridades, e muita gente opinou o suficiente para eu não ter nada a acrescentar ao dito.  

Hoje tenho qualquer coisa a dizer sobre o tema e não se relaciona nem com a jovem colombiana, nem com o segurança privado nem com a polícia.

Dirijo-me directamente à STCP que emite um comunicado onde se desmarca do evento, apontando a culpa para a empresa privada.

Isto não pode acontecer e só pelo comunicado, a STCP deveria ser condenada por negligencia grosseira.

A STCP tem de ser responsável por tudo e todos os que de forma mais ou menos directa fazem parte operacional do normal funcionamento da empresa. Quem se demite de ter seguranças próprios é a STCP. Nenhuma outra entidade senão a STCP, de forma mais ou menos clara, contrata uma empresa externa para fazer um serviço que deveria ser seu. Ainda assim, os critérios contratuais são do requisitante e é este que aceita ou não determinada pessoa para cumprir determinado serviço.

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Se a STCP ou outra empresa entender, pode ter uma existência formal sem ter um único funcionário operacional, concedendo tudo a empresas prestadoras de serviços. Assim, num evento negativo, a culpa NUNCA é sua. O mecânico não cumpriu, a peça partiu e num acidente morreram 50 pessoas? A STCP não tem culpa. O motorista mata por atropelamento uma multidão? A STCP desmarca-se e atira a culpa para a empresa prestadora de serviços. Os autocarros não estão limpos? A culpa não é da STCP.

 

Desculpem, mas não pode ser.

A STCP e outras empresas que usam do mesmo expediente para se baldarem de custos e responsabilidades não podem ficar impunes.

Se é lucro é comigo, se é prejuízo ou má fama, empurro para outros.

Assim fica fácil. Esta malta das empresas de segurança privadas, nas empresas, são pau-para-toda-a-obra. São seguranças, recepcionistas, estafetas, paquetes, secretários, motoristas… por um salário curto a forçar excesso de horas de trabalho. Não sei como está, mas ainda fazem aqueles turnos muito malucos ou o ACT já acabou com essa brincadeira?

Não vou opinar sobre o caso em particular, mas a STCP é desde já culpada por confissão em comunicado. E se o que faz não cai na ilegalidade, cai com toda a certeza numa falta de ética em toda a linha.

E se não é ético, mas ainda é legal, é preciso encontrar a concordância entre ética e legalidade promovendo nova legislação. E se a esquerda está no poder, é acabar com terciarização do trabalho e da responsabilidade e responsabilização.