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StayWay Covid ou YouHaveBeenWith Covid ?

18.10.20 | João Massena

Já instalaste a aplicação StayWay Covid?

Olha vê lá, que ainda te arriscas a uma multa!

Stayaway-Covid-Obrigatoria-INESC-TEC-scaled.jpg

 

Olha, eu instalei quando a dita apareceu e agora que sou ameaçado, removo-a. E removo-a por ser, vá… lixo digital.

Repara, o meu automóvel, e qualquer um mais ou menos recente, quando se aproxima de um obstáculo, apita e quando estou mesmo muito perto, apita forte para eu ter a certeza de que estou perto de fazer asneira.

O Estado paga por uma aplicação que nos avisa 15 minutos depois de ter feito asneira. A app não se devia chamar StayWay Covid, antes YouHaveBeenWith Covid.

Não sei exactamente o que a app faz porque quem foi diagnosticado com o vírus não se registou ou não recebeu códigos, ou não tem aplicação, ou faz o que deve e está em casa, porque é isso que é suposto fazer. Mas se algum dia aquilo desse sinal de vida era para sair dali e ligar de imediato para o Saúde24 para pedir um teste.

Não bastando uma app falhada, temos um acto falhado de António Costa. Um não, dois.

O primeiro foi precisamente querer obrigar os portugueses a ter esta app nos seus telemóveis, a segunda foi dizer que não é autoritário nem gosta de o ter de ser, prefere que os portugueses o façam de livre vontade.

Tenho bem a ideia de que todos os ditadores pensaram o mesmo “eu não sou ditador, se eles fizerem o que eu quero de livre vontade… afinal eu tenho razão!”

Olha o Salazar: “Eu não queria desterrar ninguém para o Tarrafal, mas eles teimam em não ser ordeiros e a fazer o que eu quero…”.

Mas vamos lá continuar a explorar este novo momento de contingência: Continuamos a proibir a venda de bebidas alcoólicas a partir das 20 horas, mesmo em supermercados. Em casa não se pode beber, mas se for ao restaurante, posso sair de lá de gatas, desde, claro, que consuma lá dentro. Isto, como se eu não pudesse comprar às 19h para beber às 23h.

 É antecipar a compra e problema resolvido para quem quer beber.

Proibidos ajuntamentos na via publica para mais de 5 pessoas. Desde, claro, que não seja de natureza política ou religiosa. Já nos transportes públicos podemos ir todos juntinhos sem qualquer problema.

Estabelecimentos comerciais não podem abrir antes das 10 horas?!? Excepto aqueles que juntam pessoas a caminho do emprego como pastelarias, cafés. Os outros, é só concentrar o número de pessoas num horário mais curto. E claro, não prejudicar os horários das grandes superfícies…

Depois aquele toque final da fiscalização pela ASAE, a mesma ASAE que passa o tempo a dizer que não tem fiscais suficientes para a sua actividade normal, excepto aquelas que aparecem no noticiário da noite para justificar a sua existência.

Já toda a malta que se reúne em festinhas, não lhes acontece nada se não ficarem com a festinha estragada por intervenção familiar.

Conclusão, o Governo diz que a culpa é das pessoas, aquelas que são obrigadas a ir de transportes públicos para o emprego por não usarem uma app. Gostava de ver António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa a fazer mea culpa por terem gastado o cartucho do Estado de Emergência cedo demais.

Ah, gostava de referir a quantidade de pessoas que me vão dizendo que estão entre os suspeitos por viverem com pessoas que diagnosticaram positivo, à espera para serem chamados para irem fazer o teste, e passa mais do que o período de quarentena e continuam à espera. Vão trabalhar? Ficam em casa? Quem dizem ao patrão?

Mas não somos os únicos em medidas estapafúrdias. Depois de meses a fazer muito pouco a Bélgica anuncia recolher obrigatório das 00:00 às 05:00. Essas 5 horas da madrugada é que são mesmo as responsáveis pela quantidade de contágios por lá… É sair à rua e ver a quantidade insana de gente que se junta naquelas horas.

Agora vamos analisar um pouco de dados numéricos com frieza e clareza. Em Portugal morreram no ano passado, 111793 pessoas. Isto dá aproximadamente 306 mortos diários. Ainda que de forma flutuante, naquelas semanas em que entrámos no Estado de Emergência, face aos números do ano passado, mais de 10% dos mortos foram de covid-19 e 10% é um número estatisticamente significativo. E a relação teria de ser mais aprofundada porque não sabemos se a Covid-19 se substitui a outras causas de morte “tradicionais” ou se aumentou as taxas de morte, ou até, se agravou a mortalidade de forma indirecta pelo numero de pessoas que deixou de ir aos hospitais em busca de assistência para outras doenças e os que podem ter morrido por Covid-19 e aos quais foram diagnosticadas outras doenças que são resultado das sequelas, nomeadamente doenças do foro circulatório.

Até ao dia de hoje, 67% dos mortos tinham acima de 80 anos e 86% acima de 70 anos. Não fazemos ideia quantos nem como estão distribuídos os assintomáticos mas sabemos que dos testados, 65% se encontram entre os 20 e 60 anos, ou seja, quem está laboralmente activo, e estes números são distribuídos de forma mais ou menos homogenia quer pelas diferentes idades, quer por ambos os sexos.  

Depreendo aqui que a transmissão não é feita por jovens na copofonia, mas por quem, em idade adulta, leva a sua vida dentro do novo normal.

A transmissão não pode ser feita exclusivamente em contexto laboral porque esse seria um foco facilmente controlado. Tem forçosamente de ser num movimento de massas onde passa muita gente em pouco tempo. Transportes públicos? Hipermercados?

Não sou técnico para avaliar, navego apenas nos meus pensamentos e ponderações. No entanto, estou certo de que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa são responsáveis, não pelo vírus bem pela sua capacidade de contágio, mas pelos momentos de alarme social e consequente confinamento e claramente, estão a falhar.

E deixarei a ideia de Marcelo de modificar o natal mais para o natal porque essa também será matéria interessante de explorar.