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Responsáveis e Responsabilidades do Bairro da Jamaica

27.01.19 | João Massena

 

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Vivemos num momento critico para humanidade e quando somos colocados em situações extremadas, a nossa encendia vem à tona. São situações extremas que mostram heróis, cobardes, fraturantes, conciliadores, pensadores de um presente e futuro ou canalha aproveitadora da desgraça alheia.

Devo dizer que considero os portugueses, senão a maioria pelo menos uma grande fatia, racistas passivos. Aquele racista que os expressa a miude, à boca pequena ou a coberto das redes sociais. Tem sempre um, “mas” e um amigo preto para tentar justificar que dizer que é racista é pura mentira para logo completar com um sorriso malandro “tanto aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto…”.

É o mesmo tipo de gente que generaliza bairros sociais como sendo espaço de minorias étnicas, mas ignora a história simplesmente porque é mais fácil ignorar a nossa (enquanto grupo social) responsabilidade dos erros passados que resultam no desajustamento do presente do que assumir que erramos e precisamos mudar.

E isto vem, obviamente a propósito do que se passou no bairro da Jamaica.

É curioso que quem tem responsabilidade política, deve usá-la em prol da sociedade e não como um espaço de guerrilha em proveito próprio só que os partidos se preocuparam em encontrar alvos fáceis para o jogo politico. Alias, o BE depois de atirar a bomba, recusou-se a dar resposta na TVI, esse novo publicitário de extrema direita, no programa de José Eduardo Moniz, que se diga em rigor da verdade, é a versão masculina do programa da sua esposa. E fazem-no porque a esquerda é muito melhor a “queimar” a imagem da esquerda do que a fazer passar a mensagem no que a esquerda é melhor do que a direita.

E neste ignóbil aproveitamento político, lá aparece um ser iluminado, o representante dos moradores do Bairro da Jamaica que diz: “calma lá, a polícia não se portou ao nível do que dela se espera mas não tem que ser racismo.”

“A presidente da Associação de Moradores do Bairro da Jamaica, Dirce Noronha, em declarações à Renascença esta quinta-feira, disse que os confrontos do último domingo no mesmo bairro “nada têm a ver com o racismo”, afirmando que apenas “houve uso excessivo de poder por parte dos polícias”.

“Eles são polícias, têm regras de conduta, mas são seres humanos. Houve agressões por parte das pessoas e eles reagiram”, defendeu a responsável.”

Não quero com isto diminuir o facto de existirem filhos de muitas mães na polícia e alguns deles serão racistas, uns mais passivos que outros.

Alias, um inquérito do Manuel Luís Gocha na sua pagina do facebook, à questão: ” Acha que precisamos de um novo Salazar?”, 38% das pessoas responderam que sim. Mais de 1/3 da população ou gostava do regime antigo ou acha que apesar de tudo, resolveria muitos dos problemas presentes.

Podemos considerar que a comunidade que segue Manuel Luís Goucha peca pela falta de jovens e que os resultados, no seu todo seriam outros (ou não), mas facto é que uma margem considerável acha que Salazares fazem falta e quando partidos alimentam o extremismo, os salazarentos cerram fileiras uns porque não querem emigrantes, outros por racismo, outros porque acham que é o caminho para o fim da corrupção…

Facto é que o problema dos bairros problemáticos começou há mais de 40 anos, facto é que a polícia não tem condições necessárias nem em número nem em qualidade, nem sequer em critério.

Facto é que a comunicação social é rápida a mostrar o problema, mas NUNCA aparece para noticiar a solução e para o leitor/telespectador o que existe é a soma de problemas.

 

Acho que todos os responsáveis deviam ser mais moderados, responsáveis e responsabilidades sob pena de em breve a democracia ser algo do passado, de um passado em que o Homem sonhou com utopias de progresso social, humano, ecológico…