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Publicidade no Correio, Não!

28.03.16 | João Massena

Hoje, como quase todos os dias, quando chego a casa consulto a caixa do correio. É preciso estar atento às implacáveis contas para pagar como o IMI que chegou a semana passada.

Hoje em dia a caixa do correio pouca utilidade tem. Boa parte do correio chega por via electrónica, até a maior parte das contas. Cartas de amor foram trocadas por mensagens de telemóvel ou de uma rede social. Já não existem pen friends nem os jogos que xadrez que se arrastam no tempo. A família segue a mesma logica das cartas de amor, foram substituídas por versões digitais. Os postais agora seguem por correio electrónico. Sim, só restam as contas que ainda não usam modelo electrónico.

Para além disso servem de depósito de publicidade.

É verdade que nunca colei o autocolante a dizer “Publicidade aqui não” mas mais-valia.

A publicidade não chega amiúde. Vem toda de uma só vez, provavelmente para diminuir os custos de distribuição. Tomando como amostra o que eu faço e o caixote do lixo do meu prédio, a publicidade acaba toda ou quase toda no lixo sem ter a oportunidade de ser folheada.

Como eu, centenas ou largos milhares de pessoas.

Sejamos francos, o sujeito que distribui não ganha principescamente e o objectivo dele é depositar o máximo no menor tempo possível. Em resultado, algumas vezes temos direito a duplicados ou triplicados. Não é de estranhar que os panfletos sejam enfiados à bruta e quando nós abrimos o correio pelo outro lado não esteja nada lá nada mais, nada menos do que uma amálgama de papéis multicolor a clamar por ser atirada com galhardia no caixote do lixo mais próximo.

Poderia embarcar aqui no fundamentalismo ecológico e propor acabar, alterando a legislação, com publicidade no correio. Mas sou sensível à ideia que os que vendem bens ou serviços conseguem tirar dividendos da publicidade por correio.

Digo eu então que o lixo que metem no meu correio acaba no lixo, afinal o lixo é para estar no lixo e não serve para ser lido.

Proponho então que os comerciantes progridam. Poderia apelar a que apenas colocassem publicidade nas caixas que não digam “publicidade aqui não” nem que recebam a newsletter da loja, mas isso seria impraticável.

Sugiro então que os comerciantes se reúnam por concelho e ao invés de lançarem lixo para a minha caixa do correio, façam a sua publicidade em formato de revista de tamanho A4. Nessa revista entram todos e dividem o custo por todos. Eu, da minha caixa do correio passo apenas a tirar um objecto publicitário e não dezenas deles todos amarrotados. Eu, num objecto em condições posso até dedicar-me a folheá-lo a ver novidades. Uma revista merece ser folheada. Lixo merece o caixote do lixo.

Provavelmente agora, por cada uma que lê o lixo, cem deitam fora. Com uma revisa se calhar essa margem aumenta. Provavelmente o volume de papel diminui e ainda assim atinge muito mais o seu fim.

O que acontece hoje é que a pegada ecológica é gigante e nada produtiva. Já nem sequer alguém embrulha o peixe em papel de jornal.

Milhões de quilos de papel, milhares de litros de tinta para impressão que saem da reprografia directamente ao lixo.

Mudem de estratégia. Se não em nome do ambiente, pensem que assim podem até conseguir vender mais.

 

Publicidade que eu recebi hoje no correio:

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