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lighthouse

NOS ALIVE, I’m still Alive

15.07.18 | João Massena

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Ok, NOS ALIVE, aqui vamos nós.

A minha experiência para este festival foi fantástica em diversos pontos.

1º decidi ir de comboio o que me valeu andar muito pouco desde que sai do festival até entrar em casa. Entre a viatura e a entrada do festival, poderemos considerar mil metros de distância.

O tempo foi francamente amistoso não abusando do calor durante o dia, não abusando da frescura durante a noite.

O espaço é fantástico e só é pena não ter paisagem para o rio. O que podia ser paisagem é merchandising. Mas talvez a troca fosse tramada e uma aragem ribeirinha acabasse por ser negativa.

Agora coisas concretas, água e lixo.

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É um facto que anda por lá malta a tentar limpar o lixo, mas a verdade é que para o fim da noite, no espaço do palco principal, aquilo torna-se num mar de copos de plástico.

Água, só comprada a um preço mais do dobro do preço da gasolina. Bem sei que só vai a festivais quem quer, mas só anda de automóvel quem quer e existe um princípio simples: não se nega água a ninguém.

Vi malta a distribuir protector solar, mas se te queres hidratar, tens de pagar.  Dois euros uma garrafa de meio litro.

Copos recicláveis e pontos de água tornavam o festival muito melhor até do ponto de vista ambiental.  Se o artista merece que lhe atirem uma garrafa de água é porque se calhar não está a cumprir com o seu trabalho, mas um copo de plástico reciclável, que até pode ser levado para casa de recordação, hein…

 

A nível pessoal irrita-me ter de escolher. Há eventos a dar ao mesmo tempo e tenho de escolher entre os dois. Só para exemplo, gostaria de ver o Bataguas ao vivo no Palco Comédia, mas era ele ou Franz Ferdinand. Quanto mais não fosse pela probabilidade de ver ao vivo…

Desculpa Bataguas, foste o elo mais fraco.

Blablabla, Pearl Jam.

Tudo se resumiu a isto, Pearl Jam.

Os bilhetes de dia 14 esgotaram por Pearl Jam, a maioria dos bilhetes de 3 dias esgotaram pelo mesmo motivo. Com todo o respeito por todas as bandas, mas é assim, há bandas e bandas, Pearl Jam faz parte de um naipe muito curo de bandas que são de culto que mesmo não lançando novo álbum há 5 anos, derrete todos os bilhetes disponíveis enquanto o diabo esfregou o olho. (sorte a minha estar na Fnac enquanto o diabo o esfregava…)

 

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Quando pensarmos em progresso social, direitos do Homem, paridade, justiça, ecologia, liberdade, democracia… se dissermos ‘Pearl Jam’ é em si só um sinonimo de tudo isso.

Este concerto foi exemplo disso mesmo e todo o seu discurso, mesmo quando parecia o Papa a falar, foi sempre em defesa do Homem, a lembrar os que lutam pelo seu espaço, pela justiça, pela sua liberdade, defendendo esse discurso em Obama, atacando Trump.

Eddie Vedder, deixemo-nos de tretas, já não tem a voz de outros tempos. E não importa assim tanto. Ele pode descansar que nós cantamos com ele, se for preciso, por ele.

Alem disso não deixa cair a ficha. Mete uma música menos conhecida ou mais calma, sem parar, logo outra de dimensão inversa, e depois umas quantas palavras dando espaço para nos acolhermos uns aos outros. E logo se segue mais uma volta, mais uma viagem…

Eddie Vedder é o anti-vedeta e por isso é vedeta que mobiliza e cativa. Está no palco, está com o publico, vai ao publico, salta para o meio do publico (agora menos), fala do que importa, canta sobre o que importa, é a primeira banda a publicar com capas de cartão por questões ambientais, vai fazer surf, manda abraços aos novos amigos, bebe de uma garrafa de vinho em palco como se estivesse em casa com amigos. E francamente, é um enorme grupo de amigos que se encontra ali periodicamente.

Tens dúvidas? Quando referiu a primeira vez que veio a Portugal, a Cascais, foi um mar de braços no ar.

Entre o saudoso Dramático de Cascais e o NOS Alive, as diferenças são enormes para tudo e para todos mas continuamos a receber como ninguém, sobretudo Pearl Jam.

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Francamente, ficou tanto por cantar mas no fim, cantou musicas de alvorada e de esperança.

Cantou Imagine de John Lennon, Comfortably numb de Pink Floyd, que já tinha cantado com Roger Waters no concerto 12.12.12 a propósito da angariação de fundos para as vítimas do furacão Sandy e remata com o Alive.

Por muita qualidade que tivesse, e tinha, toda a lista de bandas, a verdade é que desta vez foi Eddie and others.