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“Não sou como os outros. Eu pedi desculpa, depois” Cristiano Ronaldo

03.10.18 | João Massena

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Sou contra o feminismo. Feminismo parece-me o lado contrário da mesma moeda do machismo e se uma está errada, a outra está errada por oposição.

Sou antes pela liberdade e igualdade das pessoas, uma liberdade limitada na acção pela liberdade do próximo, uma igualdade de oportunidades, direitos, deveres, espaço físico e moral.

Ontem a Marisa Filipe partilhou uma notícia sobre a reabertura de um processo contra Cristiano Ronaldo por parte de Karhtyn Mayorga por alegada violação em 2009.

A resposta que dei foi que não iria comentar porque nos EUA há gente que procura extorquir dinheiro em tribunal e fazem disso modo de vida, Cristiano Ronaldo não é um anjinho e como tal opinaria depois das autoridades concluírem o processo.

Só que não.

Quando decidiram aceitar o dinheiro do Cristiano Ronaldo para designar o aeroporto da madeira, critiquei o facto porque é um jogador de futebol, ainda jovem, em actividade, e que pode passar de bestial a besta em menos de um piscar-de-olhos. E é o que me parece…

Cristiano Ronaldo e a família Aveiro é a nossa família Kardashian, uma novela da vida real cheia de notícias para alimentar a fotonovela da imprensa cor-de-rosa. Pelo caminho, casos de fugas ao fisco e agora a probabilidade de uma violação.

E porque é que mudei de ideias sobre comentar o caso?

Porque ao ler a peça do observador, ficou-me uma frase que me deixa em fúria.

Segundo o Observador/Spiegel, Cristiano Ronaldo terá dito: “Não sou como os outros. Eu pedi desculpa, depois”

Desculpe?!? Pediu desculpa?

Considerando a descrição como verdadeira, não é NÃO. Não há cá gestão de conflitos entre linguagem verbal e física, não há cá decisões unilaterais do “ela (ou ele) estava a pedi-las…”.

Das primeiras coisas que aprendemos a dizer é “não” e isso tem um motivo, rejeitar o que não se quer.

Cristiano Ronaldo, e qualquer um de nós, é livre de tentar a sua sorte porque se não tenta, também não sabe se a resposta seria ou não positiva, mas perante um não, e não são precisas dezenas, basta um não, é para parar.  Depois do não, podemos continuar a tentar, mas enquanto a resposta é não, ficamo-nos pela tentativa.  E mesmo a tentativa é passível de ser rejeitada por fazer parte da quebra da liberdade do alvo de tentativas.

Não, é não e não fica para um pedido de desculpas posterior. Isto não há cá violadores bem-educados que passam ao lado da legalidade e da liberdade individual. Um violador é um violador e visto daqui deveria ser castrado quimicamente. E mesmo dentro de uma relação consentida, se algo desagrada a um dos participantes e te diz que não, desrespeitar esse não continua a ser violação. Ha sexo nos limites do acordo entre os intervenientes, com limites definidos ou não por cada uma das partes. Ultrapassar esses limites depois de um pedido expresso para parar é violação. 

Não há nada que justifique violação, nada. Há mulheres que gostam de sexo violento, há prostitutas e para cada tacho há uma tampa. Não há razão nenhuma para que o sexo seja feito com quem não o quer. 

Heróis não têm pés de barro, têm pelos nas palmas das mãos.

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