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Matar Inocentes pela Segurança dos Inocentes

11.04.19 | João Massena

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Evaldo dos Santos morreu.

Quer dizer, não morreu, mataram-no com 80 tiros para não haver duvidas que a intenção era matar bem morto.

Mataram Evaldo dos Santos, uma pessoa que até há pouco tempo era desconhecida fora do seu círculo de família e amigos.

Como é possível que agora tenha destaque na comunicação social?

Porque uns tipos acham que em nome da segurança vale tudo e votaram num tipo que disse que pela segurança vale tudo.

Talvez Evaldo dos Santos tivesse votado em Bolsonaro, talvez não, mas foi vítima desse vale-tudo.

Certo é que ninguém está seguro nas ruas. A polícia, que é suposto defender a sociedade, mata e agora de forma indiscriminada, matando apenas porque sim, sendo polícia e juiz no mesmo instante.

Dizem que aparentemente foi engano, que um criminoso tinha um automóvel igual...

Viver no Rio de Janeiro ou no Afeganistão é mais ou menos a mesma coisa. Um governo tomado por seitas religiosas, uma constante violência indiscriminada nas ruas em que não se sabe se o amanhã chegará, em que nem numa posição neutra se está a salvo.

Para nós parece menos grave porque são seitas com génese na nossa própria base cultural, mas o facto é que são seitas na mesma, e seitas que tomam o poder, em que o direito civil perde para fundamentalismos religiosos.

Quem votou em Bolsonaro em nome da segurança dirá que foi um dano colateral, daqueles como quando os norte americanos matam civis em mais um dos seus bombardeamentos “cirúrgicos”, neste caso, um erro de avaliação por policias já detidos. Só que não, é normal, o novo normal que se alastra por esse mundo fora.

Cada um por si, no regresso à lei da selva.