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Já ouviste falar em gratificados?

25.09.18 | João Massena

Já ouviste falar em gratificados?

 

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Se não és uma força da autoridade nem dependes de gratificados, é provável que não saibas o que é.

Para a PSP, GNR e Policias Municipais, um gratificado é um trabalho e consequente remuneração exercido fora do horário normal de serviço. Não vou, nem quero explorar as questões internas das forças de autoridade, se são ou não obrigados a fazer gratificados, se os valores são ou não justos/adequados.

Irei focar-me em particular nos gratificados que mais afectam a comunidade em geral, gratificados em que o serviço é de acompanhamento de obras em via publica porque hoje armado em orelhudo, apanhei um fim de conversa entre uma pessoa e um agente a dizer “epá…acho que a policia não deve estar aqui a acompanhar obras, devia era estar a fazer trabalho de policia…”.

Sempre que exista uma obra que ocupe a via publica, é preciso requisitar policiamento e pagar por ele. O incumprimento tem um peso de 750 euros de coima, paragem dos trabalhos que só seguirão depois do pedido de acompanhamento policial.

Aqui começam as nuances. Nem sempre há agentes disponíveis e do outro lado aparece a resposta “mandem lá o mail com a requisição de acompanhamento policial que depois o carro-patrulha vai lá passando…”.

Mas ainda assim, tudo bem…

O problema é o agente que está efectivamente no local do acompanhamento da obra, mas em vez de fazer o que lhe compete, está na conversa com os trabalhadores, está debaixo de uma árvore ao telefone, debaixo de uma varanda à sombra, a jogar ao telemóvel ou dentro da sua viatura particular a escapar da chuva. Coordenar o transito que foi para isso que se criou o princípio do acompanhamento de obras em via publica é que é mais complicado…

 

O agente acha que tem um vencimento pequeno e o gratificado vem dar alguma justiça à sua função. O Estado sabe que paga mal e sabe que se não forem estes bónus, a revolta é certa.

O problema está no facto de pagar o mesmo de uma forma indirecta, mas pior que isso, o serviço não ser cumprido.

… e de facto acho que a tarefa não devia ser atribuída a agentes das autoridades fora do horário de serviço.

Trabalho é trabalho e não me parece procedimento sobrecarregar agentes com trabalho extra correndo o risco … confirmando o risco de burnout.

Acrescento o facto que devia ser responsabilidade dos promotores da obra todo processo de sinalização e coordenação do transito.

Estava aqui a pensar na excepção de auto-estradas e itinerários principais, mas quem sinaliza e delimita, em conformidade com a legislação, a via?

Os policias ficam por norma dentro das viaturas e estão lá apenas para manter os “pirilampos” acesos.

Francamente estou perfeitamente de acordo. Polícia deve policiar, patrulhar, investigar, fazer trabalho que se espera de polícia.

Sinalização e acompanhamento de obras a quem é da obra até porque nos dias que correm, se as regras de sinalização de obra não forem cumpridas, as empresas recebem elevadas penalizações.

Grato, mas mais gratificados, não!