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Inevitabilidade do Aeroporto do Montijo

09.01.19 | João Massena

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Cheira a esturro, senhores, cheira a esturro!

António Costa assinou ontem o acordo da construção ou remodelação do aeroporto do Montijo e hoje diz que não há plano B, é inevitável a construção daquele aeroporto.

António Costa devia ser o primeiro a ter vergonha de usar a inevitabilidade como expressão já que condenou o anterior Governo pelo mesmo motivo. Não há nada de inevitável na política.

 

Mas pior que isso foi anunciar obras de expansão no Aeroporto Humberto Delgado, aeroporto que alegadamente está esgotado. Se dá para expandir, não está esgotada a solução e não é necessária a solução Portela +1, pelo menos por hora.

Não vou aqui defender as ONG ambientalistas porque estas irão reclamar de todas as soluções nem que aleguem que o aeroporto se encontra na rota migratória do berbigão da Malásia ou do território de reprodução da formiga da Guatemala. A minha questão não é essa ainda que considere, obviamente importante saber todos os problemas que umas obras desta dimensão possam causar e mitigar na medida do possível o impacto causado.

 

A questão é que cheira a esturro. Esta história do aeroporto já tem décadas e ninguém diz, mas começa pela vontade de usar a zona do aeroporto para expansão imobiliária, só que não dá para usar aqueles terrenos de outra forma e pelo caminho o Estado tornou-se refém da ANA Aeroportos.

Quando fazemos contratos com privados, é assim.

 

Também não defendo, como alguns, transferir o aeroporto de Lisboa para Beja. Descentralização sim, mas caramba, 200km de distância do aeroporto da capital até à dita?

Por outro lado, quem esperou 50 anos, pode esperar mais meia dúzia e fazer algo de concreto e com capacidade para mais 50 anos de uso com possíveis expansões. Não há inevitáveis, há faltas de vontade.

No outro dia via um vlog, que costumo seguir, a propósito do fim do aeroporto de Hong Kong, Kai Tak, e o que se lhe seguiu, o aeroporto mais caro do mundo. É mais caro porque foi feito no meio do mar, coisa que não teríamos de fazer, mas no fim do vídeo são apresentados os números do custo e das receitas e percebemos que o custo de arranque foi largamente compensado pelo retorno.

Se calhar, um aeroporto ali para a zona de Alcochete ou até mais a norte, poderia ser uma aposta interessante. Criar um Hub capaz de ser porta de entrada para a Europa a partir de Africa e América, servindo Lisboa sem estar dentro de Lisboa. Criar um aeroporto para o futuro, criado de raiz para estes aviões do presente, mas com margem para o que possa vir, um A480 se for caso disso.

Montijo é só para alegrar acordos de bastidores, deixar fugir mais uns milhões de carteiras alheias para bolsos privados e isso é tão verdade que António Costa faz questão de dizer quem paga a obra é a ANA. Mas a troco de quê?

Não consta que sejam bons samaritanos.

Cheira a esturro esta solução que não é solução, que se defende que é inevitável, mas não é.

Haja vontade política.