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Imigrantes de Direita podem existir?

18.07.18 | João Massena

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Tropecei no relato de uma jovem, brasileira, a viver em Lisboa, que encontrou um emprego através de um anúncio numa rede social, para trabalhar no Algarve.

Segundo palavras dela, a proposta incluía 34 euros diários e alojamento e nas palavras dela, recém-chegada a Lisboa, imigrante e de dinheiro contado…

Bom, o emprego existia, mas era afinal uma exploração que resultou em doença por fadiga e despedimento.

Fui procurar um pouco mais desta pessoa. Gosto sempre de tentar perceber se quem fala é pessoa ou produto falso, se o discurso é verdadeiro ou partilha de conversa plantada… enfim, tentar apurar factos.

Sobre os problemas não encontrei nada que me levasse a crer que fosse mentira, mas achei curioso que no perfil, a ideologia política é de direita.

Existem dois tipos de emigrantes ou imigrantes: os que partem ou chegam com emprego garantido e os que o fazem às escuras sem saber como será o próximo dia.

Estes segundos não podem ser senão de ideologia de esquerda ou então não são coerentes em tropeçam nas suas próprias palavras.

O tipo de direita é o que critica o imigrante. É o que diz que o imigrante só vem para roubar empregos e para viver de subsídios. É o que diz que o imigrante só traz doenças, drogas e crime. É o que vota em Trump ou Hitler, é o que aprova o encerramento de fronteiras, o levantamento de muros e a pena de morte.

É o que tem medo de refugiados e defende-se do medo ao chamar-lhes terroristas.

 

O tipo que é de direita não pode emigrar como refugiado económico porque acabará por ser ele próprio tudo o que critica. Parte em busca de emprego, com um pé à frente e outro atrás, sujeitando-se muitas vezes a empregos fora da legalidade por um salário abaixo dos mínimos desse país.

O sujeito de direita não pode ser imigrante. Desculpem, mas é uma incoerência.

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