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Google, Trump e Reciprocidade

20.07.18 | João Massena

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A necessidade aguça o engenho e a partir deste pressuposto, desta feita dou razão ao ressabiamento de Donald Trump.

A União Europeia condenou a Google a pagar uma multa record e Trump acusou o toque. Segundo Trump, a Europa está a aproveitar-se dos EUA, só que não completou com “… ao contrário do que tem acontecido no último seculo…”.

 

Até ao início do seculo XX, a economia norte-americana era semelhante em dimensão a outras como o Reino Unido ou a Alemanha, sendo que estes são países de muito menor dimensão, mas por outro lado, à data, colonizadores.

Os Estados Unidos da América começam a ser potência mundial com a aproximação e com o enredo da WW I.

 

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É imaginar uma Europa em guerra e com a indústria parada, e a comprar e gerar divida nos EE.UU.

Fim da guerra, a Europa começa a recuperar das ruínas e o que acontece nos EE.UU? A grande depressão. Passaram de um boom económico para um excesso de produção, pelo menos para os padrões anteriores. Quando recupera? Com a WW II.

Os EE.UU. só entram na guerra porque são quase empurrados lá para dentro porque do ponto de vista económico, estavam mais ou menos no mesmo ponto que na WW I. Eram fornecedores por excelência para uma Europa em guerra.

Só que desta feita a coisa foi acautelada e criou-se a ideia da eventualidade eminente de outra guerra, a Guerra Fria.

 

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Foram logo ali estabelecidos aliados e inimigos e para uma europa totalmente devastada, os EE.UU. foram o financiador (a juros moderados), fornecedor, polícia do mundo, justiceiro, coordenador de investimento, autoridade na OPEP e donos de umas rotativas incansáveis a fazer US Dólares.

Só que o inimigo morreu sozinho da queda de um muro, ali para os lados de Berlim, a Europa começou a dar passos largos para uma espécie de Estados Unidos da Europa, a China passou a ser a fábrica do mundo e apareceram até países a rebelar-se ao US dólar.

Curiosamente os ditadores que disseram que iam começar a negociar em Euros, foram afastados sobretudo por força da sua morte mais ou menos violenta.

Bom, a Europa deixou de ser dependente dos EE.UU. e francamente, eles que tanto promoveram a liberalização do mercado, estão agora a ser comidos por essa liberalização. A ásia oferece os mesmos produtos ou melhores por preços muito menos penosos.

E mesmo o maior bem exportado pelos americanos, armamento, já começa a não ser a preferência deste lado do oceano.

A Europa tem-se esforçado por produzir os seus próprios equipamentos e mesmo Portugal, que comprou uns aviões novos, não foi ao comprador tradicional, certamente para evitar a perpetuação do dinheiro que escorre para os cofres do Fort Knox. Comprámos agora Embraer que são brasileiros e acredito que a União Europeia irá avançar para forças armadas conjuntas, com produção de equipamento com padrões europeus como o Eurofighter Typhoon.

Deixámos de ser subservientes dos norte-americanos a todos os níveis e Trump é quem dá a voz ao colapso de uma economia artificial que eles próprios criaram e alimentaram.

O mundo um dia acordou e viu que eles organizavam a guerra, forneciam as armas, deixavam a malta matar-se, depois iam lá feitos policias e destruíam mais um pouco em nome da democracia, (quase parecem os portugueses a fazerem os descobrimentos em nome da evangelização), depois tomam conta do país, escolhem um governo fantoche, metem lá as empresas de reconstrução e vendem o material de guerra a esse país, o material usado, naturalmente. Uma dessas vendas, só a título de exemplo, são os nossos carros de combate M60 que foram usados na primeira guerra do Golfo. Basicamente eles foram por lá abandonados e Portugal na falta de melhor, foi lá buscá-los, cheios de areia do deserto. Boa parte chegou inop, e foram dando peças uns aos outros até que estão todos na reserva. Portugal, entre outros, pagou caro por sucata, mas é como cresce a economia americana.

Ou estamos aqui iludidos que quando Trump diz que quer que se gastem 2% dos PIB’s em armamento, está à espera do quê?

Só que Trump apesar de falar das consequências fechando os olhos à origem, não é parte da solução, tentando antes alongar o problema. Alimenta conflitos para criar a ideia de medo de uma eventual guerra.

 

Sim, tem razão, os EUA deixaram de ser um aliado e com Trump a mandar, são até uma vergonha para os restantes membros da NATO e para os aliados em geral.

E é preciso ter em mente que se por qualquer motivo a economia melhorar, ele segue, apesar de tudo, para mais um mandato porque ele tem o mesmo discurso de regresso do império que tinha Mussolini, Hitler ou Franco (o Salazar não entra porque o discurso era de manter o império já que ainda tinha as colónias.).