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Fim do Sonho Americano

22.06.18 | João Massena

“Vim em passo de bala

Um diploma na mala

Deixei o meu amor p'ra trás

 

Faz tanto frio em paris

Sou já memória e raiz

Ninguém sai donde tem paz”

 

Excerto da música Para os braços da minha mãe de Pedro Abrunhosa.

 

End-Of-The-American-Dream.jpg

 

 

Coloco este excerto todo para contextualizar a última frase “Ninguém sai de onde tem paz”.

Direi que o Homem tem em si o espírito de aventura e é esse espírito que nos leva a conquistar novas fronteiras, mas a regra enquadra-se naquela frase.

Esta paz pode estar inquinada de diversas formas, perigo de vida para si e para as famílias, miséria, fome, medo, falta de projecção de futuro…

Os portugueses já partiram para outras latitudes pelos mais diversos motivos e devíamos compreender melhor que ninguém quando os outros o fazem. Nos últimos 100 anos vimos pessoas a fugirem à ditadura, a fugirem à guerra, a fugirem à perseguição política e vimos quinhentas mil pessoas, muitos deles portugueses de várias gerações a viver nas ex-colónias, a fugir para salvar as suas vidas.

Quando olhamos para o que se passa no mundo actual, devemos estar na linha da frente da indignação.

O que Trump tem feito nas fronteiras só é comparável com o que Hitler fez com os judeus.

Separa pais de filhos, despoja-os dos seus bens e só falta arrancar os seus dentes de ouro e já agora, valas comuns ou fornos junto das fronteiras como solução final. Num país que se diz o defensor da democracia e da liberdade, que se diz “o polícia do mundo” direi que até o mito do sonho americano está ferido de morte.

Mas pela Europa a coisa não está muito melhor.

Devo dizer que alguém plantou isto muito bem. Refiro-me ao medo e as pessoas são cada vez mais favoráveis à vontade de eliminar tudo o que lhes pareça medonhamente diferente.

A leste da europa, parece que se preparam os campos de batalha, fecham-se fronteiras, retomam-se velhos costumes militares.

 

Passámos das lutas fundamentais para frivolidades tomadas por assuntos fulcrais. Por ilusionismo, estamos preocupados se temos cartão de cidadão ou cartão de cidadania, mas deixamos passar em claro atrocidades em outras partes do mundo, numa altura em que já devíamos estar a pensar como libertar o Homem do trabalho. E pior, em vez disso, vemos que as atrocidades regressam para onde já se tinham feito as conquistas fulcrais.

Já achamos normal camaras de vigilância por todo o lado, ainda agora começamos a perder, dentro da União Europeia, a liberdade na internet. Em vez de se procurar e condenar o prevaricador, acaba-se com a liberdade para todos.

E o problema é que somos nós, cidadãos, a abrir mão da liberdade para apaziguar o medo, mesmo que esse medo alimente outros ódios que mais tarde se virarão contra nós. Os italianos mandaram um barco de volta para Malta, agora dizem que “Descarreguem essa carga humana na Holanda”. Não me parece que o nacionalismo italiano esteja a gerar muitos amigos…

 

No fundo, o sonho americano é o sonho de todos nós, um sonho de prosperidade e liberdade, só que o sonho está a acabar e está a converter-se num pesadelo.

São cada vez mais os que estão do lado do populismo, os que lutam contra a liberdade e democracia. Outros tantos que lutam pelo, não direi fútil, mas não essencial. Metemos aqui uns posts de indignação, forçamos uma instituição qualquer a publicar um comunicado que demonstra indignação e seguimos em frente como se não fosse nada.

 

É preciso ter em mente que ninguém sai de onde tem paz. Que se dê paz a quem precisa, abrigo a quem não tem paz.

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