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Devíamos acabar com a historia anterior a 1974

23.07.18 | João Massena

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Ontem estive ali para os lados de Belém. A malta em casa queria apanhar ar, eu não queria areal, e um pastel de Belém pareceu-me um bom compromisso de interesses.

Estávamos ali a descortinar as distâncias relativas entre países do mundo e deparo-me com o monumento ao meu lado. Não exactamente com o monumento, mas com o seu nome, Padrão dos Descobrimentos.

Dei por mim a pensar, que tal como a Ponte que era Salazar e mudou para 25 de Abril, é tamanha a vergonha do passado dos portugueses que aquele padrão tem de mudar de nome e aqueles navegadores têm de ser dali removidos porque são marcos históricos e promotores do colonialismo e da escravatura.

Alexandra Lucas Coelho faz um hino à parvoíce numa cronica anti-hino nacional, anti-museu das descobertas, anti-passado.

E fá-lo porquê? Porque estamos em 2018 e sublinha o ano com a ligeireza como se 2018 fosse um certificado de qualidade, um ISO2018.

Quero lembrar que no passado se disseram coisas como 2001 Odisseia no Espaço ou no Regresso ao Futuro II em que Marty, em 2015 encontra um futuro, visto de 1989 completamente desfasado da realidade.

Faz-me lembrar outro filme de 1993 Demolition Man onde Sylvester Stalone é congelado num determinado passado e descongelado num outro futuro e depara-se com uma realidade onde tudo é proibido em nome de uma moral que lhe é estranha. Agora que penso nisso, com Alexandras Lucas Coelhos, é para lá que caminhamos, para um mundo acético e estéril baseado numa nova religião sem Deus mas com dogmas e verdades e proibições igualmente sagradas.

 

Eu acho apenas parvoíce. O ano de 2018 é apenas um ano do calendário que serve para nos orientarmos. Portugal acaba por ser, no fim de contas, um local de sucesso para a humanidade onde ainda assim as liberdades se vão assegurando. Talvez 95% do resto do mundo não tenha a mesma sorte onde há palavras proibidas e onde o dia de amanhã não é uma certeza quer por falta de saúde quer por excesso de guerras ou abundância de fome.

 

Digo mais, é uma profunda parvoíce ignorar ou branquear pelo esquecimento o passado. Mal ou bem, quando falamos de descobrimentos, falamos de um pack de coisas boas e coisas más. Não falar dos descobrimentos é não falar que houve um passado e é potenciar erros no futuro.

E se lembramos só das coisas más, ignoramos o que de bom fizemos e tornamo-nos apenas seres deprimidos e deprimentes.

Portanto é parvoíce não ter um museu dos descobrimentos num país em que os turistas querem visitar essa nossa história, é parvoíce querer mudar o hino que teve um contexto republicano no passado e que hoje, sem significado belicista é apenas um ponto de encontro entre iguais e francamente, é parvoíce de quem não tem nada para escrever nem nada de proveitoso para fazer.

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