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Covid-19 Vinca a Desigualdade Social nas Escolas

06.06.20 | João Massena

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Se és pai ou mãe de um jovem em idade escolar, sobretudo se és pai ou mãe presente, saberás o que tem sido a vida doméstica dos últimos três meses.

Não importa o sucesso anterior, as condições agora são diferentes para pior e pior para todos.

Porque a parte interessada são os miúdos, deixo-os para o fim.

Em primeiro lugar invoco o drama dos docentes. Docentes de todas as idades, com uma rotina criada ao longo de anos que se esfumou em dias para dar lugar a um processo completamente novo. Imaginemos os docentes de idade mais avançada forçados a usar as novas tecnologias, a ter de coordenar o seu programa com a telescola, com agrupamentos…

E esta condição torna-se pior quando os docentes são ao mesmo tempo pais de filhos nas mesmas condições dos seus alunos.

Depois dos docentes, o drama é dos pais. Ficarem em casa, encerrados dias a fio e ainda passaram a ser professores de um dia para o outro de miúdos que não compreendem bem que este é um novo normal. Ainda mais interessante para pais que ficaram em teletrabalho, tendo de responder no campo laboral e ao mesmo tempo na persona de tutor. Em rigor, acabo por ver pais a não quererem saber do que é entregue ou não e outros a fazerem os trabalhos pelos filhos seja porque querem despachar, seja porque pensam que é o melhor para os filhos. Nenhum dos casos é bom…

Chegamos aos filhos para os quais a escola é o processo preparatório para a vida adulta.

Ninguém convidou o Covid-19, mas ele apareceu na mesma.

De um dia para o outro as escolas fecharam e ficámos todos de quarentena.

O Governo antecipou o encerramento das férias de Páscoa, depois anunciou que as aulas iriam prosseguir em telescola, hora e meia com duas disciplinas agrupadas de 2 em 2 anos, no canal memória para todos poderem ter acesso.

Começamos por reduzir um dia de aulas para pouco mais de uma hora. A escola anuncia que as aulas passam a ser virtuais, numa dimensão a que todos possam aceder. A Junta de Freguesia apela a que quem possa oferecer televisores e computadores, que o faça, para que quem não tenha capacidade para comprar estes equipamentos, possa usá-los para ter aulas.

Estou certo de que, mesmo com a ajuda comunitária, não chegou para todos, muitos não têm acesso à internet, muitos acedem aos conteudos pelos telemoveis dos pais quando estes regressam dos empregos... 

E nisto, António Costa anuncia a distribuição de milhões e milhões, muito para empresas, pouco para as pessoas, mas reporto aqui aos 400 milhões para a educação.

Em educação, refere-se à aquisição de meios para as escolas, seja hardware, seja software.

Só que se esqueceu do que interessa nas escolas, os alunos.

Nem uma palavra de como é que os alunos podem aceder a tudo o que esses 400 milhões vão comprar. Um salto tecnológico a que só quem pode é que conseguirá aceder porque não fica prometido nem sequer um magalhãezinho socrático. 

Se a escola normal já é segregadora e em que a vida, logo de início, tende a ser mais fácil e facilitada para quem mais pode, numa condição que a todos é alheia, se nada for feito, entretanto, só irá vincar mais as diferenças entre ricos e pobres.

No fim desta viagem, os mais favorecidos poderão colocar os seus filhos em centros de estudo de modo a que recuperem o tempo perdido. Os pobres, continuaram pobres e sem acesso a processos de recuperação.

Será uma geração comprometida e que irá pagar, de uma forma ou de outra, a pandemia.

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