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Bob Dylan não precisa do Nobel

24.10.16 | João Massena

 

O romance sobre o Nobel a Bob Dylan está a causar-me alguma comichão em toda a largura da questão.

Logo que foi anunciado o vencedor para este ano fiquei um pouco incrédulo pelo critério porque, talvez de modo errado, assumo que um prémio Nobel da literatura é atribuído a um sujeito que produz para outros lerem. Bob Dylan, ainda que seja o autor das letras das suas musicas, verdade é que o veiculo das suas letras não são páginas de livros, mas por via musical.

Visto daqui, se o critério não for esse, para o ano até eu posso vir a ganhar o prémio Nobel através do que pela internet vou escrevendo.

Mas nem sequer é isto que me motiva a escrever sobre este estranho prémio. É sobretudo pelo que se tem passado nos entretantos enquanto Dylan aparece e não aparece.

Um dos membros da Academia Sueca veio dizer que Dylan é arrogante.

A sério? Bom, seu eu fosse Dylan, depois destas declarações estava-me nas tintas para o Nobel. Em rigor Dylan construiu uma fantástica e reconhecida carreira e não é um Nobel que lhe fará grande diferença numa altura destas.  Mas pergunto-me eu quem é afinal arrogante?

Quem define os critérios de seleção dos premiados? Que valores concretos e objetivos é que uns são premiados em detrimento de outros? E sendo a premiação algo de francamente subjetivo e como sabemos por premiados no passado, sobretudo pelos eleitos “nobel da paz”, o critério parece francamente duvidoso.

Assim, parece-me que a arrogância parte do membro da Academia ao julgar-se superior aos premiados.

Mas hoje tinha de ser quando li a frase “Bob Dylan é um excelente autor de canções, mas não é comparável a qualquer escritor a sério” por Luís Menezes Leitão.

O pecado aqui não é por comparar quem escreve na plataforma literária com quem escreve para depois musicar, mas na qualidade da palavra escrita.

O passo seguinte de Luís Menezes Leitão foi comparar as edições de Dylan com outros autores.

Posso dizer que já li alguns dos premiados pelo sobrevalorizado Nobel e alguns deles a mim pouco mais me parecem amontoados de letras que só não param no lixo por respeito aos livros.

E quando uma banda musica um poema de “um escritor a sério” deixa de ser uma banda musical a sério?

Quando o critério não existe por parte do promotor depois somos forçados a tropeçar nestas tormentosas interpretações.

Como disse, inquietam-me mais os opinadores dos entretantos do que a relação entre a Academia e Dylan.

De dizer que conheci Bob Dylan pelo que ele escreveu e não pelas musicas que conheci mais tarde na minha vida.

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