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lighthouse

Automóvel Autómato por $1000

18.12.15 | João Massena

 

Para quem me conhece, sabe que sou um entusiasta da tecnologia esse há coisa que lamento é não ter nascido mais à frente no tempo para conhecer a tecnologia numa fase muito mais avançada do que a actual.

Assim, não tenho como não apreciar os projectos da TESLA ou o automóvel autómato do Google que sem margem de dúvida irão na próxima década mudar completamente o modo como nos deslocamos e como deslocamos mercadorias.

Ontem saiu a notícia que George Hotz, um pirata informático reconhecido, fez num mês o que estas empresas andam há anos a criar e testar. Ao que parece George Hotz está a usar tecnologia mais simples e mais barata, num processo menos complexo para fazer precisamente o mesmo.

A Tesla, claro que já respondeu com desdém, afinal, um sujeito que diz que faz um kit por $1000 para instalar em qualquer automóvel iria tramar completamente todo o investimento da Tesla e Google.

De qualquer forma olho para esta dualidade como ao início se olhava para as cassetes Betamax e VHS. No fim, apenas uma vingou e neste caso, nem sequer podemos dizer que tenha sido por ter mais qualidade.

De qualquer forma julgo que estas tecnologias dependem ainda de uma evolução que vai para além da tecnologia implementada nas viaturas e essa evolução passa pela reorganização das vias.

Para quem usa GPS e pede a um automóvel para se deslocar para determinado local, ou usa pouco ou já terá certamente encontrado ocasiões em que o GPS lhe indica caminhos impossíveis. Ou porque o sentido de transito mudou, ou porque a via foi alterada ou até porque o GPS assume uma escada como uma via destinada a automóveis. Se eu indicar actualmente a um automóvel para se deslocar do ponto A ao ponto B ele irá usar GPS e cartografia tal como nós usamos num qualquer GPS.

Claro que estes automóveis estão equipados com os mais diversos tipos de sensores de obstáculos e leitores de sinalização.

Vamos então assumir um cruzamento com semáforos avariados. Para quem já passou por uma destas situações, se for um local de trafego intenso o processo pode não ser fácil e muitas vezes existe ali uma comunicação gestual ou por luzes entre os automobilistas que resultam na facilitação da passagem. Essa linguagem não sendo padronizada não pode ser carregada num computador. O mesmo se passa a um polícia sinaleiro. Cada um deles tem o seu modo de se mover ao que se adiciona o seu movimento giratório.

A estas questões temos de adicionar a sinalização vertical. Se esta for vandalizada de alguma forma, e é fácil encontrarmos sinais grafitados pela cidade, este não será reconhecido. A sinalização horizontal é legível sem automóveis em cima. Se o trafego for intenso a sua leitura é dificultada e o que para nós passa a ser navegação à vista, para um computador pode ser mais complexo.

Marcações das faixas de rodagem, também estas nem sempre são visíveis se é que existem. Se uma via tiver diversas marcas, sobretudo quando as originais são sobrepostas por provisórias que depois deixam de o ser mas que não são apagadas, torna-se impossível ao automóvel autómato conseguir fazer uma correcta leitura da via.

Naturalmente que quando começarem a aparecer, e quantos mais existirem, mais fácil se torna porque eles comunicam entre si e o trânsito circulará de forma mais harmoniosa. Até lá, entre vias pouco claras e condutores humanos menos pródigos ao volante vejo a vida destas tecnologias muito limitadas a artérias principais e pouco ou nada passiveis de alterações.

Estou no entanto certo que quando estas viaturas começarem a ser comercializadas a necessidade irá forçar a que as vias se moldem a este tipo de viaturas.