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Aumentos de 4%, insiste Frente Comum, em defesa das classes altas

04.10.18 | João Massena

A Frente Comum insiste na proposta de um aumento de 60 euros até aos 1500 euros e 4% a partir dai.

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Sou e serei sempre contra propostas de aumento com base numa percentagem para todo o universo como é quase o caso. Aqui aplica-se o “todos” excepto abaixo de X.

O problema da ausência de escalões parece-me a mim obvio e aos sindicatos também quando falamos de pagamento de IRS, mas quando é do lado do receber, querem por norma basear-se numa percentagem única para todos.

Qual o problema?

Para a senhora representante da Frente Comum que falou para a Antena 1, nenhum. Segundo ela, quem ganha 5000 euros em terras lusas é tão pobre como outro qualquer. Visto daqui não é bem assim.  Falamos de uma diferença de 8120 euros brutos anuais para o salário mínimo para 70000 euros brutos anuais para o tal salário de 5k euros mensais. Claro que temos de pensar que a carga tributária também é diferente, mas temos igualmente de considerar que prémios, ajudas de custo, horas extra e outras benesses são igualmente diferentes a favor do que ganha mais.

Mas detalhes à parte, voltemos ao problema das percentagens.

Vamos colocar números redondos para que se torne mais fácil de explicar e perceber: ~

Vamos assumir um aumento de 10% para três indivíduos de três escalões profissionais diferentes. Um ganha 100 euros, outro 1000 euros e outro 10000 euros.

No primeiro ano o primeiro passa para 110 euros com um aumento de 10 euros, o segunda passa para 1100 euros com um aumento de 100 euros e o terceiro passa para 11000 com um aumento de 1000 euros. Ainda que falemos sempre da mesma percentagem, o mais pobre tem um aumento de 10 euros e o último tem um aumento de 1000 euros.

 

E aplicando a mesma regra todos os anos, seja qual for a percentagem, aumenta sempre a diferença entre o mais pobre e o mais rico e não é isso que se espera do Estado que tem por objectivo a redistribuição da riqueza, e os sindicatos, justiça social e salarial.

Ora os sindicatos estão preparados para engordar os que fazem parte das suas cortes e só isso justifica este processo de aumento cego.

Senão vejamos, certo ou errado, existe uma progressão automática na carreira. O que é automático retira o critério de valor de quem trabalha e, portanto, tanto faz trabalhar bem ou mal, muito ou pouco, é automático. Mas progride e, portanto, sobe na tabela salarial.

Depois as progressões não-automáticas, por “concurso” interno. De qualquer forma, tudo está tabelado.

Ora se os sindicatos fossem pelos trabalhadores diriam que querem, como no IRS, aumentos por escalão de modo a beneficiar quem menos pode e diminuir as disparidades salariais.

Vamos então imaginar que ao tipo que ganha 100 euros aplicamos um aumento de 20%, passando a ganhar 120 euros, ao que ganha 1000 euros, um aumento de 1,5%, passando a ganhar 1015 euros e ao que ganha 10000 euros, um aumento de 0,1%, passando a ganhar 10010 euros mensais.

A diferença diminui, mas 1000 euros que este iria receber de aumento pagam 500 aumentos de 20 euros no escalão inferior.

O tipo que ganha 10000 euros vai numa auto-estrada e cada vez que tem uma progressão automática, tem logo um bom aumento. O dos 100 euros vai num caminho de cabras e nem o próprio se apercebe disso…

Então se os sindicatos não estão a defender o melhor interesse de quem mais precisa deles, estão então a defender os interesses de quem?