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António Costa ajuda a minar a democracia

01.06.20 | João Massena

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Há uns dias, Marcelo e António Costa encontraram-se numa fábrica (e não foi para trabalhar) e sem que nada o fizesse prever, António Costa declara-se a Marcelo Rebelo de Sousa, inquinando logo ali qualquer projecto de candidatura nas eleições presidenciais, vinda dos membros do Partido Socialista e apoiada pelo partido.

É um facto que Marcelo Rebelo de Sousa não tem sido opositor de António Costa e até tem dado aquele enfoque ao optimismo do Primeiro Ministro. Alem disso, antecipa-se ao PSD e arrasta Marcelo para dentro do PS, deixando o PSD órfão de candidato. Isso tanto é verdade que Rui Rio apressou-se a dizer “o pai é meu” ao relembrar as origens ideológicas de Marcelo. Na balança do protagonismo, Costa ganhou largamente a Rio.

É igualmente verdade que apoiando de forma mais ou menos declarada a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, afasta ou diminui fortemente candidaturas indesejáveis, incomodas ou que dilui os votos como aconteceu com Manuel Alegre ou Sampaio da Nóvoa e para esta ronda, Ana Gomes.

Nunca se sabe se algum destes candidatos seria tão facilitador como Marcelo e em equipa que está a vencer, não se meche.

Só que…

A sondagem que saiu no Expresso diz-me que 85% dos eleitores socialistas são favoráveis a um apoio do PS a Marcelo Rebelo de Sousa.  

Talvez os socialistas respondam com Marcelo sendo a melhor opção possível só que isso é o mesmo que dizer que dentro do Partido Socialista, não há ninguém com capacidade para representar o Partido Socialista, que Marcelo é mais socialista do que os socialistas ou que ideologicamente, PSD e PS são exactamente a mesma coisa, mas com protagonistas diferentes.

Seja como for, o desaparecimento da ideologia do Partido Socialista e a falta de figuras que representem essa ideologia, empobrecem a democracia e sobretudo, deixam poucas alternativas e dessas poucas, ainda menos são as que não representam perigo para as instituições democráticas.

Pergunto a António Costa se a vitoria numa corrida de velocidade justifica o risco de perder a corrida de fundo.

Bem sem, na política, em Portuga em geral, quem vier atrás que feche a porta…