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Aeroporto da Portela + ½, Anuncia Costa

03.10.18 | João Massena

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António Costa apareceu a dizer que para o acordo do novo aeroporto do Montijo só faltava o sim do ambiente, Marques Mendes apareceu a dizer que nem isso faltava.  Mas que historia é esta afinal do novo aeroporto?

 

Em 1998 tivemos a Expo98 e o aeroporto da Portela não foi problema. Tivemos o Euro2004 e o Aeroporto da Portela não foi problema. Só que Lisboa já não tem muito por onde crescer e os 500ha do aeroporto calhavam tão bem para a construção civil.

No princípio falava-se no perigo de um aeroporto dentro de uma cidade. Onde é que já se viu…

Como não há registo de acidentes o argumento passou para o volume de passageiros.

Entretanto alguém descobriu que os terrenos tinham sido doados para se fazer o aeroporto, na condição que fossem utilizados como utilidade publica. Se deixassem de ter utilidade publica, regressariam aos seus donos ou seus herdeiros.

E então nasce a história do Portela +1.

De recordar que uns tipos compraram por antecipação terrenos da OTA porque alguém disse que seria ali o tal de +1. Falou-se em Alcochete, mas entre problemas de qualidade de terrenos, problemas ambientais e sobretudo a crise, tudo ficou em águas-de-bacalhau até hoje.

 

Um voo está cheio de variantes e quando me falam de 30 minutos de atraso num voo de 5 ou mais horas, aceitarei isso com razoável desde que aterre em segurança. Repara, chegas, fazes check-in, podes ficar retido pelo que levas na mala. Se fizeres uma escala, o processo repete-se e arriscas-te a perder a ligação, alias, arriscas-te a perdê-la bastando que o primeiro voo se atrase. Depois o check-out, a espera pelas malas, fazer votos que não se tenham perdido e a saída efectiva do aeroporto. Trinta minutos serão apenas isso, 30 minutos. E se não fazes uma programação a contar com eventualidades, então estás a planear de forma errada.

Mas na Portela tens uma entrada num aeroporto normal, um check-in normal e depois vais de autocarro para o avião?!?

O argumento é que queremos mais turistas e estes estão a abdicar de vir porque o aeroporto tem atrasos. Nunca fiz uma viagem que ficasse bloqueada por isso. Se pensar num destino, laboral ou de passeio, penso num sítio sem guerra, sem catástrofes, sem doenças epidémicas…, mas num país do top10 da segurança, um atraso no aeroporto não é critério.

Alem disso, andamos todos a reclamar que Lisboa tem turistas a mais. Reclamamos e depois promovemos a chegada de mais turistas?

E a tal ideia de um Hub aeroportuário com chegadas de africa e américa, sobretudo do Sul? Sobretudo do Sul… bom, do Brasil porque dos outros países continuarão a ir tendencialmente para Madrid. Mas que ganhamos com um Hub?

Vendas na Freeshop são assim tão relevantes para a economia?

A ideia de levar o aeroporto de Lisboa para Beja ou o +1 ser o de Beja parece-me tão distante como a distancia que separa as duas cidades. Beja tem sobretudo uma pista, que falta no Montijo, e de resto, falta tudo. Não estou a ver que exista um padrão nos principais aeroportos em colocá-los a estas distâncias.

Ora, Ota e Alcochete foram afastados da lista, queremos afastar turistas e trazê-los ao mesmo tempo, não me parece que exista nenhuma vantagem em ter um Hub, mas reconheço que o aeroporto, como está, é curto.

Poderíamos pensar que a Base Aérea do Montijo passaria a ser o espaço do novo aeroporto, mas não. A ideia é usar a pista curta, que fica quase em paralelo com a do Aeroporto da Portela, só que é limitada a norte e a Sul por água e metade do espaço continuará a ser zona militar, incluindo a pista principal da BA6.

Ou seja, não é Portela +1, é sim Portela mais ½.

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Bom, mas a ideia é fechar uma das pistas do Aeroporto da Portela, a pista 17/35 o que quer dizer que em condições de vento favoráveis, os aviões de longo curso como A330 e o A340 da TAP, deixam de poder aterrar na capital e seguem para Porto, Beja ou Faro, normalmente Faro e Porto já que em Beja pouco mais há do que a dita pista.

Então, pergunto eu, tirando o facto de estar perto de Lisboa, qual o interesse em particular no Montijo?

A proximidade.

E o que seria de facto necessário?

Assim a olho nu, é preciso ficar com o espaço todo da BA6, terraplanar aquilo tudo e fazer uma nova pista 03/21 ou 05/23, mas isso deixa-nos duas pistas, a da portela e do montijo no mesmo sentido e sem alternativa. Por outro lado, as duas nestas posições deixam de ter conflito no transito aéreo já que ficam quase em paralelo.

 

Se apoio a solução?

Não.

No que toca à malta do PAN, qualquer que seja o sítio do país, desde que não sejam eles a dizer o sítio, será SEMPRE mau e um atentado a uma qualquer natureza.

Agora, podíamos apostar num aeroporto único, de futuro e a zona do campo de tiro de Alcochete parece-me com espaço suficiente para 4 pistas cruzadas, HUB e tudo o que o futuro da aviação civil possa trazer. E não me lixem com os solos porque se do outro lado do mundo fizeram um aeroporto onde antes era mar, aqui também se pode tratar de solos.

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Aproveitava-se de dava-se utilidade publica a 500ha de terrenos de Lisboa fazendo daquele um espaço de uso publico com instituições publicas modernas e funcionais.

Montijo parece-me só mais meia dose, um petisco, para daqui a 20 anos estarmos de novo a falar no mesmo...