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lighthouse

A culpa não atravessa pontes

17.08.18 | João Massena

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Chove, cai uma ponte, morre gente e quando morre gente é urgente culpar alguém.                         

Tramado é que raramente a culpa bate na porta certa. Francamente, nestes casos de abertura de telejornal, não me lembro de a culpa bater na porta certa.

Em casos normais, o ministro da tutela e mais uns quantos da hierarquia, iram cair com a ponte, só que o Governo Italiano é tão recente que não se pode incutir culpa de coisa nenhuma. É como procurar os pecados de um recém-nascido. Apontar para governos passados, qual seria o culpado? E em rigor, mesmo apontando a culpa para o seu lado, seria espremer laranjas sem sumo e a malta sem sumo, ou sangue, não sacia a cede de vingança.

É preciso uma galinha gorda para deitar sangue suficiente para a sangria e para o efeito, ainda sem se saber nada de concreto, a culpa logo empurrada para o concessionário que conta com 30% de nome sonante, a Benetton.

É claro que o ministro do interior, mesmo sem culpa da queda da ponte, apareceu numa festa e só por isso, pede-se a demissão.

Se o apanhassem a jantar nesse dia, o efeito era o mesmo… onde já se viu jantar num dia de desgraça para alguém…. Veja-se o Marcelo que não come, não dorme e ainda distribui afectos pelos azarados.  Não é tanto assim porque desde que se sentiu mal, já não vi a todas… Monchique teve azar no fogo e no ano. Nem afectos teve…

 

Bom, de regresso a Itália.

O culpado maior da queda da ponte é claramente do sul da Europa, é para o efeito o Estado italiano que tem a competência de FISCALIZAR o que é seu, mesmo quando concessionado, sobretudo quando concessionado.

 

Foi fiscalizada a ponte? Quando foi? Que dizia o relatório? Era uma fiscalização feita pelo Estado Italiano ou pediu-se ao concessionário para apresentar esse relatório?

Se o relatório apresentava deficiências, foi feito alguma coisa? Naturalmente que não e provavelmente ninguém se preocupou muito com isso.

Então não é só a concessionária a ser demitida, mas todo o aparelho do Estado, eleito ou não, envolvido nas tomadas de decisão sobre a manutenção das pontes. Se não for assim, a culpar categoricamente e com responsabilidade neste caso por homicídio por negligencia toda a estrutura desde o fiscal ao director do departamento até ao ministro eleito com a pasta da desgraça, só vamos arranjar bodes expiatórios com mais ou menos prejuízo financeiro, mas que nunca tomam para si uma culpa real dos acontecimentos.

Uns perdem uns euros, troca-se a vida por uns quando dinheiros de prata e tirando os que morrem e ficam presos na sua sepultura, tudo o resto continuará sem dano de maior, sobretudo nesta sociedade que procura novo acontecimento para abertura de jornal do dia seguinte.