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17
Fev18

Vamos começar pelas empresas

 

Não poucas vezes defendi que as mudanças de paradigma encontram nas empresas um meio fácil e facilitador.

Passamos mais tempo no emprego do que em qualquer outra atividade e por isso, ele, o emprego, acaba por nos moldar, tanto nas práticas da arte como no modo como nos relacionamos com a sociedade.

Somos animais de hábitos.

Noticia do Jornal Economico diz-nos qual a expressão, para as marcas automóveis, das vendas para as frotas.

E é grande.

Entre os 60% da BMW e os 30% da Renault, são muitas viaturas. E se considerarmos que as viaturas que fazem parte das frotas servem para servir e por isso tendem a circular mais do que viaturas privadas, então estas têm uma grande expressão social.

 

Se queremos mudar hábitos de condução e de compra, nada melhor que começar pelas frotas.

Para as empresas, existem dois argumentos de peso: mais lucro; menos despesas.

Para o Estado, para um Estado que tenha por objetivo ampliar o parque automóvel elétrico, nada melhor que que incentivar as empresas a mudarem as suas frotas, senão na totalidade, pelo menos parcialmente, para viaturas hibridas e/ou elétricas.

 

Contas feitas, apesar de para o Estado um incentivo representar um custo, para o país, como um todo, é uma mudança de hábitos e mais do que isso, uma diminuição considerável na aquisição de combustíveis sólidos e consequente desequilíbrio da balança comercial.

24
Nov17

Criptomoedas, um desastre ambiental

 

 

No inicio das criptomoedas, embarquei nos seus argumentos de independência da banca e da “regulação” abstrata e tendenciosa.

Não passou muito tempo para que ponderasse a coisa com mais rigor, até pela perceção do seu uso, e depressa desembarquei da defesa dessa ideia. Continuo a achar que a banca e s grupos económicos são monstros vorazes, mas as criptomoedas podem ter começado por uma boa ideia, mas como muitas ideias que parecem boas, na prática demonstram ser um desastre.

 

O primeiro problema é a incapacidade de se controlar quem usa o dinheiro. Ninguém gosta de ser controlado, mas julgo ser generalizada a ideia que se há um criminoso, queremos ter a capacidade de lhe rastrear os crimes.

As criptomoedas, sabemos já, que são usadas para ocultar a criminalidade e financiamento de grupos indesejáveis.

Sabemos também que as atividades económicas através de criptomoedas não só escapam à banca como escapam também ao fisco.

Toda a gente em mente como pagar menos impostos, mas é preciso ter em mente que é através destes que temos SNS, educação, policias, proteção civil, bombeiros, estradas, arruamentos, Estado Social…

Quanto mais se foge aos impostos, mais aumentam os impostos a quem não pode fugir deles, ou seja, classe média, trabalhador por conta de outrem.

 

Sabemos agora que para alem destas questões que de um modo ou de outro, envolvem questões relacionadas com o uso da moeda e as suas consequências, as criptomoedas também têm um forte impacto ambiental.

Só a mineração da Bitcoin é responsável por um consumo de 29 TWh, mais do que é consumido em 159 países. Falamos de 0,13% do consumo total de energia de todo o planeta.

O impacto ambiental é brutal, um impacto que se adiciona a todos os outros problemas acima referidos.

 

O balanço feito é cada vez mais negativo para o uso desta moeda e a constante valorização, que passou de pouco mais de 1000 USD/BTC para quase 8300 USD/BTC à data de hoje torna-a francamente apelativa. Os Governos devem ponderar a sua proibição a algo que não é mais do que uma ideia que saiu ao lado.

24
Jun17

O futuro da energia doméstica

Qualquer um de nós pode comprar um gerador e produzir a sua própria energia. Naturalmente que poucos fazem isso porque os custos em combustíveis encarecem em muito e energia e só o faz quem não tem outra solução.

Mas esses tempos começam a ser coisa do passado e paulatinamente começamos a ter a produção energética cada vez mais próximo da nossa porta, talvez mesmo nas nossas paredes e nos nossos telhados.

Uma dessas soluções que procura trazer por inovação um custo de produção baixo no que toca, agora, a folhas ou tiras solares impressas. Se a investigação que decorre na Austrália resultar, o custo diminuirá e muito mais pessoas irão investir na produção da sua própria energia.

https-%2F%2Fblueprint-api-production.s3.amazonaws.

 

 

Vamos então associar esta ideia a outra, baterias domésticas. A Ampere Energy propõe um produto que faz a gestão energética das nossas casas. Acumula a sua produção e faz até a gestão de quando deve alimentar a rede doméstica a partir da bateria, quando o deve fazer a partir do fornecedor comercial ou se deve carregar as baterias a partir desse fornecedor se o clima não for favorável à produção de energia própria. Imagine que tem um contador bi-horário e que esta bateria carrega de noite para depois usar de dia.

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Claramente o amanhã é já hoje, haja interesse.

24
Out16

Bob Dylan não precisa do Nobel

 

O romance sobre o Nobel a Bob Dylan está a causar-me alguma comichão em toda a largura da questão.

Logo que foi anunciado o vencedor para este ano fiquei um pouco incrédulo pelo critério porque, talvez de modo errado, assumo que um prémio Nobel da literatura é atribuído a um sujeito que produz para outros lerem. Bob Dylan, ainda que seja o autor das letras das suas musicas, verdade é que o veiculo das suas letras não são páginas de livros, mas por via musical.

Visto daqui, se o critério não for esse, para o ano até eu posso vir a ganhar o prémio Nobel através do que pela internet vou escrevendo.

Mas nem sequer é isto que me motiva a escrever sobre este estranho prémio. É sobretudo pelo que se tem passado nos entretantos enquanto Dylan aparece e não aparece.

Um dos membros da Academia Sueca veio dizer que Dylan é arrogante.

A sério? Bom, seu eu fosse Dylan, depois destas declarações estava-me nas tintas para o Nobel. Em rigor Dylan construiu uma fantástica e reconhecida carreira e não é um Nobel que lhe fará grande diferença numa altura destas.  Mas pergunto-me eu quem é afinal arrogante?

Quem define os critérios de seleção dos premiados? Que valores concretos e objetivos é que uns são premiados em detrimento de outros? E sendo a premiação algo de francamente subjetivo e como sabemos por premiados no passado, sobretudo pelos eleitos “nobel da paz”, o critério parece francamente duvidoso.

Assim, parece-me que a arrogância parte do membro da Academia ao julgar-se superior aos premiados.

Mas hoje tinha de ser quando li a frase “Bob Dylan é um excelente autor de canções, mas não é comparável a qualquer escritor a sério” por Luís Menezes Leitão.

O pecado aqui não é por comparar quem escreve na plataforma literária com quem escreve para depois musicar, mas na qualidade da palavra escrita.

O passo seguinte de Luís Menezes Leitão foi comparar as edições de Dylan com outros autores.

Posso dizer que já li alguns dos premiados pelo sobrevalorizado Nobel e alguns deles a mim pouco mais me parecem amontoados de letras que só não param no lixo por respeito aos livros.

E quando uma banda musica um poema de “um escritor a sério” deixa de ser uma banda musical a sério?

Quando o critério não existe por parte do promotor depois somos forçados a tropeçar nestas tormentosas interpretações.

Como disse, inquietam-me mais os opinadores dos entretantos do que a relação entre a Academia e Dylan.

De dizer que conheci Bob Dylan pelo que ele escreveu e não pelas musicas que conheci mais tarde na minha vida.

28
Mar16

Publicidade no Correio, Não!

Hoje, como quase todos os dias, quando chego a casa consulto a caixa do correio. É preciso estar atento às implacáveis contas para pagar como o IMI que chegou a semana passada.

Hoje em dia a caixa do correio pouca utilidade tem. Boa parte do correio chega por via electrónica, até a maior parte das contas. Cartas de amor foram trocadas por mensagens de telemóvel ou de uma rede social. Já não existem pen friends nem os jogos que xadrez que se arrastam no tempo. A família segue a mesma logica das cartas de amor, foram substituídas por versões digitais. Os postais agora seguem por correio electrónico. Sim, só restam as contas que ainda não usam modelo electrónico.

Para além disso servem de depósito de publicidade.

É verdade que nunca colei o autocolante a dizer “Publicidade aqui não” mas mais-valia.

A publicidade não chega amiúde. Vem toda de uma só vez, provavelmente para diminuir os custos de distribuição. Tomando como amostra o que eu faço e o caixote do lixo do meu prédio, a publicidade acaba toda ou quase toda no lixo sem ter a oportunidade de ser folheada.

Como eu, centenas ou largos milhares de pessoas.

Sejamos francos, o sujeito que distribui não ganha principescamente e o objectivo dele é depositar o máximo no menor tempo possível. Em resultado, algumas vezes temos direito a duplicados ou triplicados. Não é de estranhar que os panfletos sejam enfiados à bruta e quando nós abrimos o correio pelo outro lado não esteja nada lá nada mais, nada menos do que uma amálgama de papéis multicolor a clamar por ser atirada com galhardia no caixote do lixo mais próximo.

Poderia embarcar aqui no fundamentalismo ecológico e propor acabar, alterando a legislação, com publicidade no correio. Mas sou sensível à ideia que os que vendem bens ou serviços conseguem tirar dividendos da publicidade por correio.

Digo eu então que o lixo que metem no meu correio acaba no lixo, afinal o lixo é para estar no lixo e não serve para ser lido.

Proponho então que os comerciantes progridam. Poderia apelar a que apenas colocassem publicidade nas caixas que não digam “publicidade aqui não” nem que recebam a newsletter da loja, mas isso seria impraticável.

Sugiro então que os comerciantes se reúnam por concelho e ao invés de lançarem lixo para a minha caixa do correio, façam a sua publicidade em formato de revista de tamanho A4. Nessa revista entram todos e dividem o custo por todos. Eu, da minha caixa do correio passo apenas a tirar um objecto publicitário e não dezenas deles todos amarrotados. Eu, num objecto em condições posso até dedicar-me a folheá-lo a ver novidades. Uma revista merece ser folheada. Lixo merece o caixote do lixo.

Provavelmente agora, por cada uma que lê o lixo, cem deitam fora. Com uma revisa se calhar essa margem aumenta. Provavelmente o volume de papel diminui e ainda assim atinge muito mais o seu fim.

O que acontece hoje é que a pegada ecológica é gigante e nada produtiva. Já nem sequer alguém embrulha o peixe em papel de jornal.

Milhões de quilos de papel, milhares de litros de tinta para impressão que saem da reprografia directamente ao lixo.

Mudem de estratégia. Se não em nome do ambiente, pensem que assim podem até conseguir vender mais.

 

Publicidade que eu recebi hoje no correio:

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18
Dez15

Automóvel Autómato por $1000

 

Para quem me conhece, sabe que sou um entusiasta da tecnologia esse há coisa que lamento é não ter nascido mais à frente no tempo para conhecer a tecnologia numa fase muito mais avançada do que a actual.

Assim, não tenho como não apreciar os projectos da TESLA ou o automóvel autómato do Google que sem margem de dúvida irão na próxima década mudar completamente o modo como nos deslocamos e como deslocamos mercadorias.

Ontem saiu a notícia que George Hotz, um pirata informático reconhecido, fez num mês o que estas empresas andam há anos a criar e testar. Ao que parece George Hotz está a usar tecnologia mais simples e mais barata, num processo menos complexo para fazer precisamente o mesmo.

A Tesla, claro que já respondeu com desdém, afinal, um sujeito que diz que faz um kit por $1000 para instalar em qualquer automóvel iria tramar completamente todo o investimento da Tesla e Google.

De qualquer forma olho para esta dualidade como ao início se olhava para as cassetes Betamax e VHS. No fim, apenas uma vingou e neste caso, nem sequer podemos dizer que tenha sido por ter mais qualidade.

De qualquer forma julgo que estas tecnologias dependem ainda de uma evolução que vai para além da tecnologia implementada nas viaturas e essa evolução passa pela reorganização das vias.

Para quem usa GPS e pede a um automóvel para se deslocar para determinado local, ou usa pouco ou já terá certamente encontrado ocasiões em que o GPS lhe indica caminhos impossíveis. Ou porque o sentido de transito mudou, ou porque a via foi alterada ou até porque o GPS assume uma escada como uma via destinada a automóveis. Se eu indicar actualmente a um automóvel para se deslocar do ponto A ao ponto B ele irá usar GPS e cartografia tal como nós usamos num qualquer GPS.

Claro que estes automóveis estão equipados com os mais diversos tipos de sensores de obstáculos e leitores de sinalização.

Vamos então assumir um cruzamento com semáforos avariados. Para quem já passou por uma destas situações, se for um local de trafego intenso o processo pode não ser fácil e muitas vezes existe ali uma comunicação gestual ou por luzes entre os automobilistas que resultam na facilitação da passagem. Essa linguagem não sendo padronizada não pode ser carregada num computador. O mesmo se passa a um polícia sinaleiro. Cada um deles tem o seu modo de se mover ao que se adiciona o seu movimento giratório.

A estas questões temos de adicionar a sinalização vertical. Se esta for vandalizada de alguma forma, e é fácil encontrarmos sinais grafitados pela cidade, este não será reconhecido. A sinalização horizontal é legível sem automóveis em cima. Se o trafego for intenso a sua leitura é dificultada e o que para nós passa a ser navegação à vista, para um computador pode ser mais complexo.

Marcações das faixas de rodagem, também estas nem sempre são visíveis se é que existem. Se uma via tiver diversas marcas, sobretudo quando as originais são sobrepostas por provisórias que depois deixam de o ser mas que não são apagadas, torna-se impossível ao automóvel autómato conseguir fazer uma correcta leitura da via.

Naturalmente que quando começarem a aparecer, e quantos mais existirem, mais fácil se torna porque eles comunicam entre si e o trânsito circulará de forma mais harmoniosa. Até lá, entre vias pouco claras e condutores humanos menos pródigos ao volante vejo a vida destas tecnologias muito limitadas a artérias principais e pouco ou nada passiveis de alterações.

Estou no entanto certo que quando estas viaturas começarem a ser comercializadas a necessidade irá forçar a que as vias se moldem a este tipo de viaturas.

 

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